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Yoga para doenças crónicas

Neste artigo, exploramos como o yoga pode ser uma ferramenta poderosa para controlar doenças crónicas e melhorar a sua em saúde geral. Segundo o Sistema Nacional de Saúde (SNS) estas doenças não são resolvidas num curto espaço de tempo e devem ser monitorizadas. Incluem-se doenças como a doença pulmonar obstrutiva, a doença renal crónica, a doença hepática crónica, o cancro, asma, entre outras.

Neste artigo abordamos também fatores a ter em conta quando procurar uma aula de yoga apropriada para os sofredores de doença crónica.

Viver com uma doença crónica pode ser um caminho desafiador que afeta vários aspetos das nossas vidas, incluindo a saúde física, o bem-estar emocional e a qualidade de vida em geral. Embora as intervenções médicas desempenhem um papel crucial na gestão de doenças crónicas, incorporar o yoga na nossa rotina diária pode ser um complemento valioso ao tratamento convencional. A prática de yoga oferece-nos uma abordagem holística, nutre o corpo, a mente e o espírito e promove o bem-estar geral.

yoga para doenças crónicas

Doença pulmonar obstrutiva e pranayama

Os movimentos suaves no yoga ajudam a reduzir a dor, aumentam a mobilidade das articulações e melhoram a função física em geral. Além disso, as práticas de yoga que se concentram em técnicas de respiração profunda – pranayama, podem melhorar a capacidade pulmonar e a função respiratória, beneficiando aqueles com problemas respiratórios como asma ou doença pulmonar obstrutiva crónica (DPOC). Um estudo recente (The risks and benefits of yoga for patients with chronic obstructive pulmonary disease: a systematic review and meta-analysis)[1] encontrou efeitos robustos da prática de yoga, especificamente as técnicas de respiração, na capacidade de exercício e na função pulmonar em pacientes com doença pulmonar obstrutiva crónica.

Doença renal crónica e asana

As posturas de yoga, conhecidas como asanas, alongam e fortalecem suavemente o corpo, promovem a flexibilidade, o equilíbrio e uma melhor circulação sanguínea. Algumas posturas no yoga, como shavasana (postura do cadáver) reduzem a pressão sanguínea. Para indivíduos com doença renal crónica, estes benefícios físicos podem ser particularmente valiosos, visto que a hipertensão é uma das maiores causas da doença renal crónica. Um estudo (Effects of 6 months yoga program on renal functions and quality of life in patients suffering from chronic kidney disease) [2] demonstrou que o yoga tem um papel favorável na melhoria da pressão arterial, função renal e nos aspetos físicos e psicológicos da qualidade de vida em pacientes com doença renal crónica.

Bem-estar emocional e doenças crónicas

As doenças crónicas geralmente afetam o nosso bem-estar emocional, provocam o stress, a ansiedade e a depressão. O yoga oferece-nos uma prática consciente que permite cultivar uma sensação de paz interior e de equilíbrio emocional. Através da prática da atenção plena e da meditação, o yoga incentiva-nos a estarmos presentes no momento e a deixarmos de lado as preocupações com o passado ou com o futuro. Isto ajuda a reduzir o stress, acalma a mente e promove uma perspetiva positiva, o que pode ser essencial para gerir o impacto emocional da doença crónica.

Doença hepática crónica e gestão do stress

O stress é a experiência subjetiva de estados emocionais negativos associados à ativação fisiológica que frequentemente produz sensações físicas desconfortáveis, incluindo a tensão muscular, a frequência cardíaca e a pressão arterial elevadas e o desconforto gastrointestinal.

A doença crónica pode criar um estado constante de stress enquanto passamos por consultas médicas, planos de tratamento e ajustes ao estilo de vida. A prática de yoga inclui várias técnicas de relaxamento, como exercícios de respiração profunda, imaginação guiada e relaxamento muscular progressivo, que ajudam a ativar a resposta de relaxamento do corpo.

O stress e a inflamação desempenham um papel na patogénese da cirrose hepática (uma doença hepática crónica), enquanto a prática de yoga reduz o stress e a inflamação.

Sabe-se que uma diminuição cardiorrespiratória acentuada desenvolve-se em pacientes com cirrose hepática. Um estudo publicado em 2018 (Effect of yoga and naturopathy on liver, renal and cardiorespiratory functions of a patient with hepatic cirrhosis with portal hypertension and ascites: a case report) [3] mostrou a eficácia de terapias de yoga num paciente com cirrose hepática com hipertensão portal (um aumento anormal da pressão sanguínea na veia porta, que transporta o sangue do intestino ao fígado).

Construir a Consciência Corpo-Mente

O yoga não é apenas um exercício físico; é uma prática que enfatiza a conexão corpo-mente. Através do yoga, podemos desenvolver uma maior consciência do nosso corpo, reconhecer as suas limitações e honrar os seus pontos fortes. Esta autoconsciência permite-nos ouvir os sinais do nosso corpo, adaptar a prática e evitar o esforço excessivo ou as lesões. Ao promovermos um relacionamento compassivo com o nosso corpo, desenvolvemos hábitos de autocuidado que são essenciais para a gestão de doenças crónicas.

Comunidade e Apoio

Viver com uma doença crónica pode levar a sentimentos de isolamento. Participar em aulas de yoga pode proporcionar uma sensação de pertença e de apoio. Ao conectarmos com outras pessoas que compartilham desafios e experiências semelhantes, formamos conexões que nos ajudam a combater os sentimentos de solidão.

As escolas de yoga geralmente fornecem um espaço seguro para os indivíduos compartilharem a sua jornada, trocarem conselhos e encontrarem inspiração. Existe evidência científica (Physical and psychosocial benefits of yoga in cancer patients and survivors, a systematic review and meta-analysis of randomized controlled trials) [4] relativamente aos benefícios psicossociais do yoga, incluindo aumentos moderados na função emocional e social em pacientes e sobreviventes de cancro da mama.

Os fatores
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 a ter em conta ao procurar uma aula de yoga para pessoas com doença crónica são:

  1. Um professor/a de yoga com experiência em doenças crónicas. Encontrar o professor/a certo fará toda a diferença. Procure um professor que tenha vivido com uma doença crónica ou que seja um professor experiente, ou um yogaterapeuta. Assim como na procura por qualquer outro tipo de terapeuta, pode ser necessário experimentar alguns professores diferentes até encontrar o adequado.
  2. O nome da aula refere palavras como “power” ou “intenso”. Estas aulas tendem a concentrar-se em exercícios aeróbicos e de fortalecimento, em vez de ajudar o corpo a relaxar e a auxiliar na cura. Procure aulas que tenham a palavra “suave” ou “restaurativo”.
  3. Observe como se sente na aula. Quando escolher uma aula, certifique-se que presta atenção em como se está a sentir durante a aula. O estúdio/ sala parece ser um ambiente seguro e de apoio? O nível de intensidade da aula é adequado para si? O professor faz adaptações para diferentes níveis e capacidades? Estas perguntas podem ajudá-lo a determinar se encontrou a aula certa ou se precisa de continuar à procura.

Conclusão

O yoga oferece uma abordagem multifacetada para a gestão de doenças crónicas, promove a força física, o bem-estar emocional e o crescimento espiritual. Como acontece com qualquer forma de exercício ou terapia complementar, é importante consultar o seu médico antes de iniciar uma prática de yoga, especialmente se tiver problemas de saúde graves. Com orientação e modificações adequadas, o yoga pode tornar-se parte integrante da sua rotina de autocuidado, capacitando-a a abraçar o seu corpo, a nutrir a sua mente e a embarcar numa jornada de cura e de bem-estar.

Bibliografia

[1] Cramer H, Haller H, Klose P, Ward L, Chung VC, Lauche R. (2019). The risks and benefits of yoga for patients with chronic obstructive pulmonary disease: a systematic review and meta-analysis. Clinical Rehabilitation. 33(12):1847-1862. https://doi:10.1177/0269215519860551

[2] Pandey, R. K., Arya, T. V., Kumar, A., & Yadav, A. (2017). Effects of 6 months yoga program on renal functions and quality of life in patients suffering from chronic kidney disease. International journal of yoga, 10(1), 3–8. https://doi.org/10.4103/0973-6131.186158

[3] Revadi, S. S., Kavitha, V., & Mooventhan, A. (2018). Effect of yoga and naturopathy on liver, renal and cardiorespiratory functions of a patient with hepatic cirrhosis with portal hypertension and ascites: a case report. Journal of complementary & integrative medicine, 15(4), 10.1515/jcim-2017-0098. https://doi.org/10.1515/jcim-2017-0098

[4] Buffart, L. M., van Uffelen, J. G., Riphagen, I. I., Brug, J., van Mechelen, W., Brown, W. J., & Chinapaw, M. J. (2012). Physical and psychosocial benefits of yoga in cancer patients and survivors, a systematic review and meta-analysis of randomized controlled trials. BMC cancer, 12, 559. https://doi.org/10.1186/1471-2407-12-559

Escrito por Ana Hayes

Licenciada em Microbiologia (Univ. de Londres) e Psicologia (Univ. de Lisboa). Professora de yoga e yogaterapeuta.

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