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Tipos de Yoga

Os diferentes tipos de yoga

O artigo refere vários tipos de yoga. O yoga emergiu na Índia antiga e cedo se propagou para outros locais, seguindo a rota da seda e assumindo características distintas no Tibete, na China e no Japão. Na Índia existem diversos tipos de yoga que estão geralmente agrupados de acordo come determinado tipo de práticas. Para mais detalhes sobre os termos em sânscrito, consulte o nosso glossário de yoga

A classificação habitual em caminhos de yoga ou marga contempla o jñāna, o rāja, a bhakti e o karma. Acrescentamos o haṭha yoga por este ser a base dos estilos modernos de yoga. Contudo, sublinhamos a existência de dezenas de tipos de yoga que não são os mais praticados no Ocidente, como, por exemplo, o nād yoga, o kuṇḍalinī yoga e o laya yoga.

Índice do conteúdo
tipos de yoga clássicos

Tipos de yoga: Patañjali

Este tipo de yoga, que se convencionou chamar-se clássico, é de natureza psicológica e meditativa. A postura basilar é a posição sentada, firme e confortável, que serve de suporte para as práticas seguintes. As oito técnicas do rāja[1], também designado por aṣṭāṅga ou Patañjali yoga, são:

Yama, composto por cinco abstenções ou restrições.
Ahiṃsa– não-violência.
Satya – não mentir; verdade.
Brahmacarya – sublimação da energia sexual.
Asteya – não roubar.
Aparigraha – não aceitar subornos.

Niyama, as cinco observâncias éticas.
Śauca– pureza.
Santoṣa – contentamento.
Tapas – austeridade.
Svādhyāya – autoestudo.
Īśvarapraṇidhana – entrega a deus.

Āsana ou posturas
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Que tipo de yoga praticas, além das posturas? x
psicofísicas.
Prāṇāyāma, a gestão da energia vital através de exercícios de respiração.
Pratyāhāra, que se refere à abstração dos sentidos.
Dhāraṇā, a concentração[2].
Dhyāna, a meditação.
Samādhi, o estado de hiperconsciência ou enstasis[3].

O Haṭha yoga

Existem diferentes escolas deste tipo de yoga, mas todas reclamam uma linhagem e autenticidade originais. Além disso, é preciso não esquecer que a palavra yoga inclui duas perspetivas, a prática espiritual e um conjunto de técnicas que servem para concretizar esse caminho (Burley, 2000, pp.95-98). Não podemos considerar o haṭha yoga como um mero conjunto de exercícios físicos. As posturas são apenas o início (Usharbudh, 1998, p.87). São exigidas várias qualidades aos praticantes, entre as quais se encontram o cumprimento da disciplina, a prática regular e a perseverança (Iyengar, 2008). Por outro lado, “dada a predominância nos textos do yoga como objetivo (…) não estaríamos a lidar com um tipo de yoga chamado haṭha, mas sim com métodos conhecidos coletivamente como haṭha e que levam ao objetivo chamado yoga.” (Mallinson & Singleton, 2017, p.6). No entanto, e de acordo com Mircea Elíade, “O haṭha yoga não deve nem pode ser confundido com uma ginástica. A aparição do haṭha-yoga está associada ao nome de um asceta, Gorakhnāth, fundador da ordem dos kānphaṭa-yogis. Ele terá vivido no século XII…” (Elíade, 2004, p.193). As técnicas de haṭha yoga são os āsana, kriyā, prāṇāyāma, mudrā e bandha, dhāraṇā, dhyāna e samādhi (Souto, 2009, pp.51-81).

Assim, embora a prática do haṭha yoga moderno se baseie essencialmente num tipo de yoga postural, com alguns (poucos) exercícios respiratórios e relaxamento, as suas técnicas ultrapassam estes elementos físicos e incluem preceitos éticos, purificações orgânicas e meditação.

Existem milhares de posturas e dezenas de técnicas respiratórias e de meditação. Não é o objetivo deste trabalho descrever detalhadamente quais são e como se praticam as técnicas do sistema haṭha yoga.

Tipos de yoga: Karma

Textos como o Bhagavad-gītā e os Upaniṣad fazem referências ao tipo de yoga da ação. A palavra karma deriva da raiz verbal ‘kri‘, que significa ação, consciente ou inconsciente, no mundo (K. Kumar, 2008, pp.136-140). O karma-yoga está associado à ética e às boas ações, e tem por objetivo alcançar a liberdade espiritual (Vivekananda, 2007, pp.11-22). Segundo Feurstein, “O Karma Yoga de Krishna às vezes tem sido erroneamente usado para justificar qualquer ação militar (…) O seguidor do Karma-Yoga, que é conhecido como karma-yogin, age na vida diária para diminuir a falta de lei (adharma) e aumentar a virtude (dharma) ou harmonia” (Feuerstein, 1996, p.20). Assim, este tipo de yoga está ligado à ação humana enquanto conduta ética. Quaisquer ações produzem um resultado ou karma que, de acordo com a tradição indiana, é transportado para a próxima vida e influencia a condição do renascimento. Nesse sentido, cabe ao yogui agir de forma correta, sem esperar uma retribuição ou o resultado da ação. Age-se com a convicção intrínseca de que se está a praticar o bem.

O Jñāna yoga

O jñāna yoga pode ser considerado a via do conhecimento. O objetivo deste tipo de yoga é alcançar a realidade última – ātman – , que é idêntica à do absoluto ou Brahman (Adiswarananda, 2006, p.203). 

No entanto, este tipo de yoga não inclui posturas nem exercícios respiratórios, e implica algum grau de sofisticação intelectual porque, além da meditação sobre a natureza do Ser e do absoluto, os praticantes dedicam-se ao estudo filosófico dos textos Upaniṣad, do Brahmasūtra, e do Bhagavad-gītā, entre outros textos. Além disso, as grandes afirmações, ou mahāvākyāni, como, por exemplo, ‘Tu és Isso’ ou Tat Tvam Asi, servem de reflexão para longos discursos sobre a essência e natureza do Ser.

Tipos de yoga: Bhakti

A bhakti representa o caminho devocional do yoga hindu. Presente em milhares de textos, entre os quais está o famoso Bhagavad-gītā, o objetivo deste tipo de yoga é alcançar a salvação através da união religiosa com o iṣṭa-devatā, ou a divindade pessoal. Como sabemos, existem muitas divindades no panteão hindu.

Destas, as mais reverenciadas na Índia contemporânea são os avatares de Viṣṇu, como o deus Kṛṣṇa, o auspicioso deus Śiva, considerado o primeiro mestre de yoga, e os vários aspetos da deusa ou Śakti. Para Vivekananda, a bhakti é um tipo de yoga que consiste numa autêntica procura de deus através do exercício do amor (Vivekananda, 1922, p.3).

Por conseguinte, a maioria dos hindus são hoje seguidores do caminho devocional: o tipo de yoga bhakti (Klostermaier, 2007, p.181). Para Zimmer, “No início da era védica, o trabalho de transcender a mente era realizado pelo caminho da devoção (…) [e da] dedicação sincera, isto é, às personalidades simbólicas dos deuses e aos rituais absorventes da sua adoração perpétua.”  (Zimmer, 2011, p.355).

Bibliografia

Adiswarananda, S. (2006). The Four Yogas: A Guide to the Spiritual Paths of Action, Devotion, Meditation and Knowledge. Woodstock: SkyLight Paths Publishing.
Burley, M. (2000). Haṭha Yoga: It´s Context, Theory and Practice. Delhi: Motilal Banarsidass.
Elíade, M. (2004).Yoga: imortalidade e liberdade. São Paulo: Palas Athena.
Feuerstein, G. (1996b). The Shambhala Guide to Yoga. Boston: Shambhala Publications, Inc.
Iyengar, B. (2008). A Luz da Ioga: edição concisa do clássico Light on Yoga ed. São Paulo: Editora Pensamento Cultrix.
Klostermaier, K. K. (2007). A Survey of Hinduism (3.a ed.). Albany: State University of New York Press.
Kumar, K. (2008). Super Science of Yoga. New Delhi: Standard Publishers India.Usharbudh, A. (1998). Philosophy of Hatha Yoga (2.a ed.). Honesdale: Himalayan Institute Press.
Mallinson, J., & Singleton, M. (2017). Roots of yoga. London: Penguim Classics.
Souto, A. (2009). A Essência do Hatha Yoga: Hatha Pradipika, Gheranda Samhita, Goraksa Shataka. São Paulo: Phorte Editora.
Vivekananda, S. (1922). Bhakti Yoga: The Yoga of Love and Devotion (5.a ed.). Kolkata: Swami Bodhasarananda Advaita Ashrama.
Vivekananda, S. (2007). Karma Yoga (22.a ed.). São Paulo: Editora Pensamento Cultrix.
Zimmer, H. (2011). Philosophies of India. (J. Campbell, Ed.). Delhi: Motilal Banarsidass.

Notas

[1] Real; de realeza. Não que o praticante se torne rei, mas sim porque adquire o domínio completo das suas faculdades internas.

[2] O objeto de concentração do meditador pode ser externo ou interno. Deve sempre existir a atenção focada em algo, a fim de evitar a dispersão dos trânsitos mentais. Exemplos de objetos externos são a chama de uma vela, uma imagem devocional, uma mandala ou yantra, uma flor, etc.

[3] Palavra criada por Mircea Elíade para designar o estado alternativo de consciência do yogui, em comparação com o  ex stasis do xamã.

[4] Vide o verso 6.8.7 do Chāndogya upaniṣad.

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